Como colecionar - Numismática

Colecionar cédulas e moedas é um passatempo que deve ser incentivado e difundido. 

Numismática (do grego nomisma, através do latim numisma, moeda) é uma ciência auxiliar da história que tem por objetivo o estudo das moedas, cédulas e medalhas. Porém, na atualidade, o termo “numismática” é empregado como sinônimo de colecionismo de moedas, cédulas e medalhas. 

O primeiro conselho a ser dado ao iniciante na atividade numismática seria o de adquirir um catálogo. É no catálogo que o interessado conhecerá as várias cédulas e moedas que circularam ou estão em curso legal, bem como terá uma noção de preços. De modo geral, as mais “caras” serão aquelas mais difíceis de serem encontradas. 

A seguir, o principiante deverá definir o que pretende colecionar. Para isso, será preciso um método. Por exemplo, se optar pelas moedas brasileiras, a coleção poderá abranger o período colonial, do império e da república, ou um deles. A opção, ainda no caso de moedas, poderá ser por um metal, por exemplo, moedas de ouro, ou de prata, ou de bronze. Geralmente se começa pelo período mais recente, para depois retroceder historicamente. 

A moeda ou cédula, para figurar numa coleção, deve ser tanto mais perfeita quanto é mais comum. As peças mais fáceis de serem encontradas devem ser as mais bonitas quanto ao estado de conservação. Se não for possível encontrar uma muito bonita, o colecionador deverá deixar, na coleção, a que possuir, aguardando a vez de ser substituída. 

O colecionador não deve contentar-se com qualquer cédula ou moeda. As cédulas não podem estar sujas, rasgadas, amassadas ou dobradas. As moedas não devem estar gastas, riscadas e, muito menos, furadas ou restauradas. Sem pressa, o colecionador deve adquirir as peças com cautela, estudando e aprendendo sobre cada uma delas. 

Cédulas devem ser guardadas em envelopes plásticos, de boa qualidade. 

Moedas e medalhas devem ser guardadas em envelopes de papel, de boa qualidade. Casas especializadas comercializam esse material. Pastas plásticas são recomendadas para o transporte das peças.

HISTÓRICO

As moedas metálicas surgiram por volta de 2000 a.C., mas, como não existia um padrão e nem eram certificadas, era necessário pesá-las antes das transações e verificar a sua autenticidade. Só por volta do século VII a.C. é que se procedeu à cunhagem das moedas. Foi a partir do dracma de Atenas que se difundiu por todo o mundo a moeda metálica. 

Desde o Império romano, cultivou-se o interesse de colecionar moedas sem, no entanto, estudá-las. O costume romano cultivado por imperadores, como Augusto, foi mantido por reis europeus durante a Idade Média. Foi durante o Renascimento, graças à vontade dos humanistas em recuperar a cultura greco-romana e à iniciativa de organizar as coleções reais, que surgiu efetivamente a Numismática, para se consolidar como ciência nos séculos seguintes. As coleções de reis, como Luís XIV da França e Maximiliano do Sacro Império, contribuíram para essa consolidação. 

Dessa época remota, são também destaques: o abade Joseph Eckhel, que trabalhou na coleção imperial de Viena, capital da Áustria; o colecionador francês Joseph Pellerin, que contribuiu para a coleção real francesa, e um dos nomes mais famosos, Francesco Petrarca, poeta que desenvolveu a numismática na Itália. 

O objetivo de Petrarca era conhecer a história de cada povo. Petrarca demonstrou também como a numismática pode se tornar uma paixão contagiosa. Em 1390, coube a ele, indiretamente, a cunhagem de moedas comemorativas pela libertação da cidade de Pádua, pelo visconde Francisco II de Carrara. 

Seja pela cultura, pela observância de técnicas ou simplesmente pelo desafio de colecionar, a relação entre cultura e numismática sempre é presente. Mesmo aqueles que colecionam moedas ou cédulas como um simples hobby, sem se dedicar à pesquisa, aprimoram seus conhecimentos. 

A numismática desenvolveu-se no Brasil, principalmente a partir do século XIX, seguindo, em parte, o modelo europeu. 

A aristocracia teve papel fundamental para o desenvolvimento da numismática no Brasil, por ser a classe mais instruída e também por ter condições de formar coleções numismáticas. Na época, as coleções eram formadas, basicamente, por moedas greco-romanas. Uma contribuição especial veio do imperador Dom Pedro II, amante das artes e da história e que frequentemente viajava ao exterior, donde trazia peças como "lembranças". 

Com o fim do Império, a maior parte da produção numismática brasileira ficou restrita a museus e a trabalhos realizados por poucos pesquisadores, principalmente no eixo das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, quadro que começou a se alterar com a popularização das feiras de antiguidades e com a criação de sociedades de colecionadores no país. 

No calendário oficial, o dia 1º de Dezembro é marcado como o "Dia do Numismata". Essa data foi escolhida por ter sido o dia em que ocorreu a coroação de Dom Pedro I, e, também, a apresentação da primeira moeda do Brasil independente, conhecida como Peça da Coroação. Essa é hoje considerada a moeda mais rara do Brasil.

INICIANDO SUA COLEÇÃO

Todo colecionador começa “juntando” várias cédulas ou moedas. Mas logo deverá definir o que pretende colecionar. Terá que se organizar, antes de começar a investir seus estudos e, sobretudo, dinheiro na coleção.

Naquele exemplo de se especializar em colecionar moedas brasileiras, a coleção poderá abranger o período colonial, imperial e republicano. Ou apenas um deles. Ou ainda poderá ser formada por um só tipo de metal, no caso de moedas. Ou a escolha poderá recair sobre um padrão monetário que vigorou por certo tempo. Eis o histórico brasileiro: 

Real (plural: réis) - de 1500 a 8/out/1834 
Mil Réis - de 8/out/1834 a 1º/nov/1942 
Conto de Réis (equivalente a um milhão de réis) 
Cruzeiro - de 1º/nov/1942 a 13/fev/1967 
Cruzeiro Novo - de 13/fev/1967 a 15/mai/1970 
Cruzeiro - de 15/mai/1970 a 28/fev/1986 
Cruzado - de 28/fev/1986 a 15/jan/1989 
Cruzado novo - de 15/jan/1989 a 15/mar/1990 
Cruzeiro - de 15/mar/1990 a 1º/ago/1993 
Cruzeiro Real - de 1º/ago/1993 a 1º/jul/1994 
Real (plural: reais) - desde 1º/jul/1994 

Os catálogos são grandes auxiliadores no estudo e classificação das peças. Eles mostram as cédulas e moedas-tipo. Às vezes, as peças são agrupadas em séries, levando em consideração similitudes nos desenhos, legendas, metal, etc. 

As moedas, geralmente, têm cunhadas as datas de emissão, o que permite que o mesmo tipo de moeda circule por vários anos. As datas de emissão podem servir de critério para montagem de uma coleção. 

Há colecionadores que se especializam. Escolhem um tipo de moeda, por exemplo o “Patacão” (moeda de prata, com valor facial de 960 Réis, em uso entre 1808 e 1832), e passam a estudar as particularidades dos vários cunhos, que na época eram manuais, apresentando sutis diferenças. 

Há também a possibilidade de se colecionar “provas” e “ensaios” - peças fabricadas nas fases de preparação das moedas, antes da entrada em produção e circulação regular. 

TERMINOLOGIA DAS MOEDAS

Partes que compõem uma moeda: 

BORDO - delimita as duas faces da moeda, na espessura do disco, na qual pode ser impressa a serrilha. 
ORLA - beirada da face da moeda, geralmente mais elevada, para proteger o desenho principal do desgaste. 
LEGENDA - inscrição do nome do país, do soberano ou seus títulos, ou da cidade, ou ainda frases. Habitualmente é abreviada. Às vezes, ocupa o campo da moeda. 
CAMPO - espaço central da moeda, no qual aparece o motivo principal ou símbolos. 
EXERGO - espaço entre a figura principal e a orla. Frequentemente, ali se coloca a data ou valor da moeda. 

Estado de conservação: 

FLOR DE CUNHO (FC) - moeda perfeita, tal como foi cunhada, sem qualquer arranhão ou marca. 
SOBERBA (S) - moeda quase perfeita, com alguns arranhões ou marcas de circulação, quase invisíveis a olho nu. 
MUITO BEM CONSERVADA (MBC) - moeda com algum desgaste nas partes salientes, pequeno empastamento, riscos ou marcas superficiais. 
BEM CONSERVADA (BC) - moeda com desgaste mais pronunciado, muitos riscos e marcas, embora os desenhos principais continuem visíveis. 
REGULAR (R) - moeda muito gasta. Os desenhos mais salientes estão apagados. 
GASTA - moeda apenas identificável, com a maior parte dos desenhos apagados e legendas ilegíveis. Geralmente, seu valor comercial está limitado ao peso do metal.

FORMAS DE EXPOR

Não são usuais exposições de cédulas e moedas. Geralmente, os colecionadores mantém seu material acondicionado em pastas especiais, tanto as moedas como as cédulas. 

No caso de uma exposição, há regras próprias, divulgadas aos colecionadores com antecedência. Ultimamente, tem sido comum a montagem em folhas medindo aproximadamente 21cm x 29cm, que por sua vez são acondicionadas em sacos plásticos, para exposição em painéis (os mesmos painéis usados para exposições de selos).

RECOMENDAÇÕES FINAIS

As coleções são feitas a partir do gosto pessoal do colecionador e dos recursos que possui. Isso requer muita paciência, carinho, método e rigor. 

Para o iniciante, é recomendável fixar um limite para a coleção, lembrando sempre de que quando uma coleção é muito abrangente, ela tende a ser dispersiva. 
É imprescindível o estudo em livros, catálogos e revistas. 
Ao escolher uma cédula ou moeda, o colecionador deve procurar sempre peças em bom estado. Para aprimorar a qualidade da coleção, deve-se, sempre que possível, substituir um exemplar gasto por outro melhor. 
Moedas e cédulas raras são caras, salvo exceções. O colecionador deve permanecer atento às moedas que passam por suas mãos, pois, às vezes, podem trazer boas surpresas. 
Em caso de dúvida, o colecionador deve consultar quem tenha mais experiência. É salutar o convívio com outros colecionadores, através de clubes e entidades de colecionismo.

Fonte: http://www.afsc.org.br/colecionar/colecionar.html